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O valor do acerto e do erro

O primeiro conceito que precisamos expor é o de que, em um processo exponencial, da multiplicação de retornos cumulativos, os acertos e os erros, os ganhos e as perdas, não têm impacto simétrico. Sem apresentar formalizações matemáticas, basta uma simulação rápida para perceber o fato. Um ganho de 20% seguido de uma perda de 20% não leva ao mesmo capital inicial. (1 + 20%) x (1 – 20%) = 0,96, ou seja, 4% a menos do que o capital inicial. Ganhos e retornos não são simétricos. Uma perda de - x% tem impacto maior que um ganho de + x%. O impacto é, no mínimo, o de um ganho de 25%, calculado dessa maneira: [1 ÷ (1 – 20%)] = 25%, suficiente para trazer o patrimônio de volta ao valor inicial, isto sem embutir nenhum custo pela perda de oportunidade de expectativa de tempo de vida e de rendimentos passivos que poderiam ter sido obtidos (uma aplicação em CDI, por exemplo).

Por isso, por contraditório que seja, cautela estrategicamente aplicada é necessária para o acúmulo consistente de capital, por mais corajoso que seja o investidor. Um carro que viaja rápido demais tem maior chance de bater e de não terminar a corrida. Quanto mais longa a corrida, maiores as chances de um acidente. O que constrói patrimônio é o equilíbrio entre taxas de crescimento satisfatórias e paciência. Não estamos fazendo uma defesa da completa falta de apetite a risco, somente apontando que, algebricamente, gostemos disso ou não, para o nosso problema, um prejuízo tem impacto maior que um retorno de mesmo valor percentual. Errar é “caro”.

Nem sempre é fácil se segurar neste conservadorismo. Há três situações frequentes que mereceriam longas discussões por si só, mas que aqui merecem ser brevemente apontadas:

(i) Sempre haverá uma próxima crise. No período que precede crises, sempre existirão ícones, lendas, sucessos incontestáveis, que logo breve passarão a ser ridicularizados. A história se repete. Os “prudentes” saem de moda nestes períodos. Assim que a crise se materializa, alguns seguem sua trajetória com escoriações mais leves, enquanto outros são impiedosamente aniquilados.

(ii) O IBOV é um índice ruim para comparações. O índice, apesar de tecnicamente ser representativo do mercado acionário brasileiro, possui alta concentração em ações de maior volatilidade e baixo retorno de longo prazo, como empresas estatais, empresas de setores imprevisivelmente regulados, empresas de commodities muito cíclicas e empresas com surpresas de governança. Esperamos que para o futuro o índice tenha uma composição melhor. As comparações que focam somente nos raros períodos curtos em que o índice vai bem não traz grandes ganhos de análise e de tomada de decisão para o nosso problema, mas facilmente pode levar a que se tome risco demais.

(iii) Muito cuidado com conflitos de interesse. Como regra geral, recomendamos que se assuma que todos possuem conflitos de interesse mais graves do que aparentam. Há uma história que se repete, que é a do profissional financeiro com a seguinte estrutura de remuneração (e que, obviamente, se comporta maximizando seu próprio lucro, e não o do cliente): se os investimentos que ele fizer derem muito certo, ele ganha uma remuneração fixa e um bônus polpudo; se os investimentos que ele fizer derem moderadamente certo, ele ganha uma remuneração fixa, mas nenhum bônus; se os investimentos derem errado (ou muito errado…), ele ganha a mesma remuneração fixa do cenário anterior e pode ser contratado com facilidade por outra empresa que oferece a mesma estrutura de remuneração. Nesta configuração, que infelizmente é muito frequente, o profissional tem um forte incentivo para, racionalmente, apostar mais do que deveria se estivesse sinceramente buscando maximizar o retorno do cliente. O problema adicional é que, em geral, as pessoas se lembram e se vangloriam muito mais dos casos que deram certo do que dos que deram errado….

Nestas três frequentes situações, há em comum que apostar mais que o razoável é um erro, porque há boa chance de levar a mais emoções e não a mais retornos, e que retornos de curto prazo muito altos devem ser vistos, inicialmente, com mais preocupação e ceticismo e menos admiração facilmente conquistada e empolgação.

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