In the circle of life
Passamos totalmente ao largo de vários possíveis questionamentos, como a defesa do desejo de acumular riqueza indeterminadamente, os custos pessoais que este caminho pode trazer, as consequências na psicologia familiar das gerações seguintes caso o objetivo seja atingido, etc. Deixamos de tratar destes assuntos não por considerá-los menos importantes. Muito pelo contrário. Mas somente porque consideramos que não é nosso papel tomar ou influenciar essas decisões enquanto empresa de gestão, pois não são nossas. Nosso objetivo foi somente apresentar de maneira o mais acessível e argumentada os princípios de tomada de decisão de investimento que seguimos na busca do objetivo de acumulação de patrimônio em favor de nossos clientes.
O que apresentamos foi, de maneira segregada, dois problemas que todos enfrentam, sempre ao mesmo tempo, mas em maior ou menor grau em diferentes estágios da vida.
O primeiro problema é o do risco das trajetórias, com o qual começamos o texto. Neste problema, o principal desafio é controlar a sequência dos retornos, mesmo que implique diminuir o retorno. O objetivo é gerar renda consistentemente para honrar as despesas de consumo de alguém que tipicamente já tem menor capacidade de trabalho, mas teve tempo suficiente para acumular capital. Aqui, o tempo é escasso e o risco é sofrer um prejuízo relevante nos investimentos, sem uma diminuição proporcional nas despesas.
O segundo problema é o do risco do jovem não acumular capital suficiente para suportar as despesas de consumo que se deseja ter quando a capacidade de trabalho for reduzida. Aqui, o tempo é abundante e o risco é não tomar risco suficiente.
Mesmo no jovem, o primeiro problema ainda está presente: é preciso o mínimo de flexibilidade para conseguir incorrer nos riscos necessários para a busca da acumulação de patrimônio. Já que a capacidade de trabalho está no seu ápice, a preocupação com a poupança desde cedo e com o apetite certo a riscos resolvem o primeiro problema com certa facilidade.
E mesmo para os que já dependem do patrimônio para honrar suas despesas, o segundo problema ainda existe em algum grau. Como quando ainda há uma expectativa de vida muito grande, em que ser conservador demais pode não ser suficiente para comportar o estilo de vida que se deseja manter, ou quando, ao contrário, o patrimônio é muito maior do que o necessário para comportar um dado estilo de vida e sobra muita margem para tomada de risco, que se quer aproveitada por crua vontade de mais acumulação, pelo puro prazer do desafio, ou por um desejo intergeracional de deixar o maior legado possível para a geração seguinte.
Como compor os investimentos para conciliar a busca dos dois objetivos (as trajetórias que alguém comporta e a taxa de crescimento que alguém necessita) é um problema sem solução perfeita. Nosso serviço hoje se propõe a ajudar na solução do segundo problema, mas com a consciência de que nos inserimos em um panorama maior, de pessoas reais com objetivos e problemas profundamente humanos. Esperamos que o material tenha sido de valia para apoiá-los nas suas tomadas de decisões e na compreensão das nossas tomadas de decisões internamente em busca da entrega do serviço atípico que vendemos, o enriquecimento.